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Campeonato nacional feminino
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O campeonato de hóquei feminino 2020/2021: ponto de situação

O campeonato de hóquei feminino 2020/2021 está sujeito a muitos pontos de interrogação. No entanto, que isso não nos impeça de fazer um outro ponto. Não será final parágrafo. Será apenas da situação atual.
A Federação de Patinagem de Portugal já anunciou as bases da prova que deseja ver realizada. Vitor Ferreira assina o comunicado de 11 de maio do Comité Técnico do Hóquei em Patins, definindo que o campeonato de hóquei feminino se disputará em três fases. Numa etapa inaugural, as equipas serão divididas em duas zonas – Norte e Sul – e jogarão uma Fase Regular, todas contra todas.
Depois, existirá um segunda etapa, já a nível nacional, também dividida em dois grupos e com jogos de todas contra todas. O grupo A, provavelmente com oito equipas – as 4 primeiras de cada Zona da Fase Regular -, apurará o emparelhamento dos play-offs. O grupo B definirá a classificação final das restantes equipas.
Por fim, tal como acontecerá com a competição masculina (e já falámos sobre isso no Hóquei Online), é desejo da Federação que suceda um play-off de apuramento do campeão nacional 2020/2021. Ainda que isso não seja indicado no documento, acreditamos que será disputado à melhor de 3 jogos.

Fonte oficial do SL Benfica confirma a intenção das encarnadas em participar na competição «apesar da atual pandemia colocar novas variáveis em cima da mesa». De qualquer forma, o clube da luz acrescenta que os seus objetivos para 2020/2021 “são os mesmos de sempre: lutar pela vitória em todas as provas em que estivermos envolvidos”. Também a UD Vilafranquense garante “apresentar uma equipa, mesmo sem conhecer todas as variáveis”.

Jorge Oliveira, coordenador da Formação e do hóquei feminino da APAC Tojal, confirma a presença da equipa no Nacional de 2020/2021 e assume como objetivo a passagem para o grupo dos primeiros numa segunda fase. “Depois, queremos conseguir a melhor classificação possível”, acrescenta. A grande novidade para a próxima época prende-se com a criação de uma equipa de Sub-17 feminina. “Somos um clube que, desde o seu começo, tem a projeção de atletas femininas no seu ADN. E, por causa disso, conseguimos ter meninas a jogar em quase todos os escalões”, explica.

Como poderá ser o campeonato de hóquei feminino 2020/2021?

Fase RegularZona Norte
8 (?) equipas
Todas contra todas
14 jornadas
Zona Sul
8 (?) equipas
Todas contra todas
14 jornadas
Fase Nacional8 primeiras
Todas contra todas
14 jornadas
Restantes
Todas contra todas
14 jornadas
Play-Offs1/4 final (3 jogos)
1/2 finais (3 jogos)
Final (3 jogos)

Tomando como base o quadro acima, as equipas disputariam, um mínimo de 28 jogos (14+14) e um máximo de 37 partidas (14+14+9). Na época 2019/2020, em formato de campeonato e sem outras fases, todas as equipas deveriam ter jogado 24 jornadas. Na época 2018/2019, os clubes disputaram entre 22 (12+10) e 26 jogos (12+14). Assim, este campeonato de hóquei feminino 2020/2021 prevê que quem ficar nos últimos lugares terá uma época ligeiramente mais preenchida, mas quem disputar os jogos de decisão terá um calendário bem mais exigente.
De qualquer forma, a Federação de Patinagem ressalva que o modelo só se aplicará em função das equipas que se apresentarem à competição. Sabemos que, neste momento, o ACD Gulpilhares – Hóquei 1944, Académico FC e o Stuart Massamá estão a montar ou já manifestaram a vontade em voltar a ter uma equipa feminina.

Em resposta ao Hóquei Online, a direção da AF Arazede confirma que pretende «continuar com a sua equipa sénior feminina. Será baseada no plantel do ano anterior, reforçado com jogadoras dos escalões inferiores para prepararmos o futuro». No entanto, estes responsáveis sublinham que «as dificuldades serão muitas, tendo em conta o período que atravessamos e sem sabermos se a necessária estabilidade em termos de saúde pública estará garantida». Rui Marujo, treinador da equipa feminina da UD Vilafranquense, explica que o clube está a “tentar criar uma equipa bastante competitiva para lutar com as equipas pelos lugares que darão acesso aos play-off”. Acrescenta ainda que a UDV faz este esforço para “tornar o campeonato feminino mais competitivo”. Em declarações ao Hóquei Online, o Clube Infante de Sagres considera ser “dos poucos clubes que conta com todos os escalões existentes no hóquei em patins. Este ano não será diferente e estamos empenhados em construir equipas desportivamente competitivas desde os escalões de formação até aos escalões sénior”. Assim, e depois de conhecer o conteúdo do comunicado da FPP de 18 de maio, confirma que estará presente no Campeonato Nacional Sénior Feminino. Neste sentido, o Infante Sagres acrescenta que “a equipa sénior feminina será constituída, na sua grande maioria, por atletas dos escalões de formação (Sub-17 e Sub-19). Temos garantias de que, num futuro próximo, será uma equipa muito forte, não só pela margem de progressão individual e coletiva da equipa, mas também pela qualidade individual das atletas e principalmente pelo ambiente vivido no seio da equipa”.

As hoquistas precisam de competição

hóquei feminino

Falta saber se os outros emblemas que competiram em 2019/2020 confirmam a sua presença na edição do campeonato de hóquei feminino da próxima época. Até ao momento, e apesar de todos terem sido contactados pelo Hóquei Online, não obtivemos mais nenhuma confirmação. E importa saber se outras instituições, que nos últimos anos participaram no Campeonato, como o Vila Boa do Bispo, Externato São Filipe, FC Oliveira do Hospital, FC Alverca ou AJ Salesiana, estarão a ponderar inscrever um plantel feminino.

A criação de estruturas que permitam às atletas femininas competirem até ao final do seu ciclo desportivo é fundamental. Neste momento e segundo o Instituto Português do Desporto e da Juventude, 30% dos atletas federados são do sexo feminino. E a Federação de Patinagem é aquela que, nos últimos anos, tem vindo a observar um maior crescimento do número de federadas: mais 13% em apenas quatro anos. De tal forma que, neste momento, há mais mulheres federadas na FPP do que homens, dados justificáveis pelo crescimento da patinagem artística.

Mas também são uma demonstração de que o hóquei em patins está a perder uma oportunidade de ouro. Ou, como dizem os catalães, #ThoEstasPerdent.

Nota: este artigo foi atualizado no dia 28 de maio de 2020.

2 Comments

    1. Com torneio com 7 equipas seriam efetivamente 14 jornadas, ainda que cada equipa só faça 12 jogos pois há sempre uma equipa a folgar por jornada. De qualquer forma, como atualizámos o artigo para incluir a ACR Gulpilhares, cada grupo acaba por ser (hipoteticamente) constituído por 8 equipas. Que disputarão 14 jornadas.

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